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O CHE RG é um grupo de investigadores da Universidade do Porto no âmbito do clima, saúde e ambiente, que conta com a coordenação da Professora Doutora Ana Monteiro do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal).

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projetos a decorrer

2010/ --- Conforto Bioclimático, Espaços Verdes e Estruturas Construídas.
Perceção, Climatologia Aplicada, Eventos Climáticos Extremos, Conforto Bioclimático, Ambiente Urbano
Sara Velho, Ana Monteiro, Mário Almeida, Luís Fonseca, Carlos Sousa 



Esta linha de investigação que atualmente assenta no Projeto "Potenciais impactes nas mudanças climáticas e das condições de estado de tempo extremas no conforto exterior em cidades europeias – implicações para um desenho urbano sustentável", surge como uma oportunidade de continuação de trabalhos realizados no âmbito do Projeto “Riscos para a saúde pública causados pelas ondas de calor e vagas de frio na área do Porto”, do Projeto Pluridisciplinar 2010 (164) “O efeito da bioestrutura dos espaços verdes no conforto bioclimático” e com a realização da dissertação intitulada de “O efeito dos espaços verdes no conforto bioclimático. Os Jardins de Serralves”.

A vasta literatura na área da climatologia e da ecologia urbana permite perceber a importância que os espaços verdes podem ter no ambiente urbano como elementos de mitigação dos efeitos das manifestações de mudança climática. 

De entre as múltiplas funções dos espaços verdes (ambientais, ecológicas, sociais e económicas), o seu papel de reguladores climáticos tem vindo a tornar-se central graças às propriedades, por exemplo, de purificação atmosférica, de termorregulação e de controlo da humidade do ar e do solo e da radiação solar. Podem, por isso, ser importantes mitigadores das “ilhas de calor ou de frescura urbanas”, modificando o conforto bioclimático e na maioria dos casos melhorando a qualidade do ambiente e da vida urbana.

No entanto, apesar da importância inigualável dos espaços verdes, nem sempre oferecem aos seus utilizadores o conforto bioclimático esperado, o que pode originar graves prejuízos na frequência e na preferência. Em muitos casos isto resulta do seu desenho, da composição das suas infraestruturas construídas ou do modo como a vegetação modifica as variáveis climáticas (temperatura radiante, temperatura e humidade relativa do ar, albedo, velocidade e direção do vento, luminância, entre outros) à escala local. Nestes casos podem originar mosaicos microclimáticos inadequados às atividades para as quais foram disponibilizados. 

Ao recriarem novas condições de conforto bioclimático, os espaços verdes podem não acomodar convenientemente as diversas atividades de recreio passivo (estadia, deambulação, reflexão, observação, entre outros) ou de recreio ativo (exercício físico).

Neste sentido, a investigação que se encontra a ser realizada segundo esta temática pretende continuar a contribuir para o conhecimento sobre a influência da morfologia dos espaços verdes e a organização da vegetação no conforto bioclimático dos seus utilizadores e nos mosaicos climáticos das áreas adjacentes, tendo como objetivo principal perceber, a nível regional, qual o papel da vegetação no contexto urbano em que está inserido, a nível local, como é que o desenho, a organização dos diferentes estratos vegetais, das estruturas construídas e do material inerte de revestimento interferem no microclima, e consequentemente, no conforto bioclimático dos seus utilizadores.

Com isto, pretende-se alcançar a definição de medidas que contribuam para a definição de estratégias bioclimáticas aplicadas aos espaços verdes que possam vir a ser adotadas, não só, no projeto, na conceção e na gestão de um espaço verde, mas também nos instrumentos de planeamento de ordenamento do território.